Animais peçonhentos e a corrida

Escrevi esse post para o Corrimundo, mas meu amigo André Caúla foi mais rápido no gatilho e escreveu um post caprichado sobre o mesmo assunto, por isso publico o meu post aqui no meu blog!

Quem não gosta de estar em contato com a natureza? Nós certamente gostamos, já que escolhemos a corrida em trilha como nosso esporte.

Mas quem anda no meio do mato sabe que precisa tomar certos cuidados que nossos amigos do asfalto jamais pensariam. Um grande problema para nós seriam os animais venenosos como cobras, aranhas, escorpiões e etc, além do fato de normalmente estarmos longe de hospitais quando corremos em trilhas.

Cobra Coral

Cobra Coral

Sendo um cara que sempre preza pela segurança do nosso grupo, eu estou escrevendo esse post para clarear um pouco o que fazer em caso de mordida de um animal peçonhento.

Quero alertar que as chances de ser mordido por um bicho venenoso durante uma corrida são muito baixas, normalmente os animais conseguem perceber a presença dos corredores muito antes dos corredores chegarem perto deles. Caso uma cobra esteja no meio da trilha, será pouco provável ela morder, já que não está te esperando, não vai estar pronta para o bote, ela vai tomar um grande susto também. Mas acidentes acontecem.

Mesmo sendo mordido, uma cobra pode injetar pouco veneno ou não injetar veneno nenhum, sendo uma mordida de alerta. A cobra sabe que não somos uma presa e seu veneno é valioso para elas.

Um animal só ataca quando se sente acuado. Portanto se for possível, dê espaço ao animal, não o encurrale e nunca o provoque com galhos ou pedras. Garanto que uma cobra tem muito mais medo da gente do que a gente dela.

Picadas de Cobras:

Cobras venenosas podem ser achadas em todos os continentes, menos na Antártica.

São animais que vivem embaixo de troncos, folhas secas, dentro de troncos, embaixo de pedras e até na copa de árvores, lugares onde podem encontrar suas presas. São animais de sangue frio, portanto precisam se aquecer no sol durante o dia e geralmente caçam a noite.

A maioria das espécies de cobras não são venenosas, essas matam suas presas por constrição.

No Brasil nós temos 61 espécies de cobras peçonhentas de acordo com esse artigo da Wikipedia, dentre essas apenas a Urutu, Jararaca, Jararacuçu, Surucucu e a Coral são encontradas no Rio de Janeiro.

Jararaca

Jararaca

Caso seu encontro com uma cobra ocorra em uma mordida siga os passos abaixo:

1- Proteja a pessoa mordida para que outras mordidas não ocorram. A identificação da espécie de cobra é desejável, mas arriscar levar mais mordidas ou atrasar o tratamento médico ao tentar capturar ou matar a cobra pode trazer conseqüências muito piores.

2- Lavar o local da picada com água e sabão.

3- Mantenha a pessoa calma e em repouso. Se a mordida for no braço ou perna, essas extremidades devem ficar elevadas, mas abaixo do nível do coração, para minimizar o retorno do sangue para o coração e outros órgãos. A reação aguda ao estresse ou estado de choque aceleram os batimentos cardíacos, agitação motora, emoções exacerbadas além de outros sintomas.

4- Levar o acidentado imediatamente ao polo de atendimento mais próximo. É importante que o tratamento seja rápido e realizado por profissionais de saúde qualificados, em unidades de atendimento médico especializadas.

5- Retirar anéis, pulseiras, relógios ou outros adereços apertados, o local da mordida pode inchar.

Jararacuçu

Jararacuçu

O procedimento de primeiros socorros é praticamente o mesmo para qualquer mordida de cobra venenosa. Infelizmente não podemos fazer muita coisa enquanto estamos no meio de lugar nenhum, o melhor que podemos fazer é manter a calma e levar a pessoa mordida para socorro médico o mais rápido possível.

Caso esteja sozinho, siga os procedimentos acima, mantenha a calma e se não for possível conseguir ajuda, siga andando calmamente até um lugar onde possa conseguir ajuda.

O que NÃO fazer em caso de mordida (do site do Instituto Vital Brasil):

1- Não amarrar ou fazer torniquetes ou garrotes. O garrote impede a circulação do sangue, o que piora a situação.

2- Não colocar folhas, pó de café, fezes ou quaisquer outras substâncias no local da picada, pois podem provocar infecção.

3- Não fazer cortes no local da picada, pois, somados aos efeitos do veneno, podem induzir hemorragias e infecções.

4- Não ingerir bebida alcoólica.

5- Não mate a cobra, elas tem seu lugar na natureza.

Existem outras “curas milagrosas” que NÃO devem ser feitas, como colocar gelo, tentar sugar o veneno e etc.

Surucucu

Surucucu

 

Picadas de Aranhas:

As aranhas são animais artrópodes, geralmente confundidos com insetos. Existem cerca de 40.000 espécies de aranhas no mundo. Mas no Brasil só temos três que são realmente perigosas para o homem.

Essas são:

Viúva Negra

Viúva Negra

Viúva-negra – Aranha pequena e bem tímida costuma ficar em ambientes escuros e frescos e vivem em sua teia. São mais encontradas em regiões de restinga. Portanto a chance de encontrarmos uma durante uma corrida em trilhas é bem baixa.

Armadeira

Armadeira

Armadeira – Não vivem em teias, costumam se esconder em buracos no chão, embaixo de madeira e pedras, entre folhas largas como folhas de bananeiras. Acidentes normalmente ocorrem no início da noite ou nas primeiras horas da manhã. São aranhas agressivas quando perturbadas, podendo picar varias vezes. Tem hábitos noturnos.

Aranha Marrom

Aranha Marrom

Aranha Marrom – Não passando de 4 cm de envergadura, a aranha marrom vive em ambientes escuros e secos onde tecem suas teias. Sob cascas de arvores, debaixo de pedras e dentro de grutas. São de hábitos noturnos.

Caranguejeira

Caranguejeira

Tarântulas e Caranguejeiras – Apesar do tamanho e aspecto sinistro, essas aranhas não são perigosas para o homem. Também são noturnas.

A maioria dos acidentes com aranhas acontecem quando elas se escondem no meio das roupas ou dentro dos sapatos, elas picam ao serem comprimidas contra o corpo.

 

Picadas de Escorpiões:

Os escorpiões são animais de hábitos noturnos, vivem em lugares escuros e úmidos, como troncos, embaixo de pedras e etc. No Rio, uma das espécies que encontramos é o escorpião amarelo, que é considerado o mais venenoso da América do Sul.

Escorpião

Escorpião

Quando perturbados, eles picam com facilidade, causando muita dor e podendo provocar a morte em crianças e pessoas debilitadas. Qualquer acidente com escorpião deve ser avaliado por um médico.

Mas não apresentam muito perigo aos corredores de trilha. Já que não temos o habito de ir correndo de tronco em tronco enfiando a mão em todo o buraco ou embaixo de pedras… certo?

 

Picada de Lacraia (Centopéia):

A Lacraia é um animal de hábitos noturnos, como algumas aranhas e escorpiões, vivem em lugares escuros como buracos no chão, embaixo de troncos e pedras.

Seu veneno não é muito pouco tóxico ao homem. Em acidentes com lacraias ocorrem dor forte e inchaço no local da picada.

Lacraia

Lacraia

 

Conclusão:

Como vimos, os animais peçonhentos listados normalmente tem hábitos noturnos, gostam de lugares úmido e quentes. Tenham atenção com troncos no meio da trilha, pedras e montes de folhas.

O maior perigo para nós corredores são as cobras, mas se lembramos que aquele é o ambiente natural delas e mantivermos o respeito, não teremos problemas.

Se sacudirmos nossas roupas e batermos nossos tênis antes de nos vestir, não teremos problemas com os aracnídeos.

Nenhum desses animais está à espreita do próximo corredor.

Se nós não perturbarmos os animais, conseguiremos seguir nossas corridas com nada mais do que um susto e alguns batimentos cardíacos a cima do normal.

Como escrevi anteriormente, caso ocorra um acidente, não mate o animal, pois também é uma vida e ele tem seu lugar na natureza.

Links importantes:

Rede de polos de atendimento – http://www.ivb.rj.gov.br/polos.html

Instituto Butantan – http://www.butantan.gov.br/primeiros_socorros.php

Referências:

http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/primeiros_socorros.html

http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/cobras_venenosas.html

http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/aranhas.html

http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/escorpioes.html

http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/lacraias.html

http://www.butantan.gov.br/primeiros_socorros.php

http://en.wikipedia.org/wiki/Snakebite

http://pt.wikipedia.org/wiki/Serpente

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_cobras_pe%C3%A7onhentas_do_Brasil

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rea%C3%A7%C3%A3o_aguda_ao_estresse

http://www.cobrasbrasileiras.com.br/

http://www.abc.med.br/p/299395/picada+de+cobra+e+agora+o+que+fazer.htm

http://www.runnersworld.com/trail-running-training/snakes

http://blog.runningwarehouse.com/running-sport/runner-vs-nature-how-to-deal-with-snakes-while-running/

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Minha vida corrida

Minha vida corrida…

Bom, tudo começou no final de Agosto de 2008. Eu me vi trabalhando em frente a um computador durante 10h por dia, sem horário de almoço, pelo menos, eu já tinha me tornado Vegano.

Eu decidi que tinha que fazer algum exercício, comecei na academia, fazendo musculação, por estímulos do pessoal do trabalho, tentei fazer uma coisa que eu nunca tinha feito na minha vida, tirando uma ocasião de vida ou morte… decidi correr…

Já estava indo a academia por umas duas semanas, a primeira vez que subi na esteira na academia, quase cai, mas logo me entendi com a ajuda do apoio da esteira, quem diria que uma pessoa precisa aprender a “andar/correr” novamente para poder usar uma esteira?

Corri por uns 15 minutos, uma façanha inédita na minha vida sedentária. Uma coisa incrível aconteceu comigo, tirando que eu quase caí de novo quando eu desci da esteira, pois estava completamente perdido por ter corrido naquele negócio, eu estava me sentindo como nunca tinha me sentido na minha vida, estava me sentindo muito bem, com o corpo pedindo mais, acho que foi aí que a danada da corrida me mordeu.

Treinei duro por 1 mês inteiro! Corri minha primeira “prova”. Foi uma prova de 6 km na Praia de Copacabana com uns amigos do trabalho, Eu estava com medo de não conseguir completar, já que o meu treino mais longo haviam sido míseros 5 km! Como eu iria completar 6 km??? Correndo… é claro! E por sinal, corri muito bem, no final estava me sentindo muito bem, como sempre.

Depois participei de mais uma prova de 5 km, mas estava insatisfeito… Precisava de um desafio maior.

“Preciso encarar os temidos 10 km!” Tomei a decisão.

Comecei a treinar pesado, correndo e malhando, correndo e malhando. Corri minha primeira prova de 10 km em uma das provas do Circuito das Estações Adidas Etapa Verão em 2008. Fiquei orgulhoso de mim mesmo, fui o único do grupo do trabalho a correr os 10 km, fiz essa façanha em 1:02:30.

Acabei correndo mais algumas provas de 10 km e revezamento com o pessoal do trabalho. Antes mesmo de minha nova vida como “corredor” fazer 1 ano, eu já estava inquieto novamente, 10 km já não era um desafio tão grande assim. Então me inscrevi na prova de 10 Milhas da Mizuno. O percurso foi em um circuito fechado de 5 milhas ou 8 km, a primeira volto eu fui muito bem, na segunda eu comecei a me sentir um pouco cansado, acabei correndo a primeira volta um pouco mais forte do que a segunda volta, mas completei a corrida em 1:38:59 em um dia bem quente no Aterro do Flamengo.

Quando comecei a gostar, percebi que provas mais longas do que 10 km são um pouco menos freqüentes, mas me animei com a corrida e me inscrevi na minha primeira meia maratona. Comecei os treinamentos, até então sozinho, com “ajuda” de sites e planilhas de revistas, fui em frente. A essa altura minha esposa já havia se animado com a corrida também, ela tinha virado minha companheira de corridas e acabei inscrevendo ela junto na Meia.

Treinamos duro mais uma vez, mas infelizmente, 2 meses antes da prova, eu precisei passar por uma operação, descobri que eu tinha uma pedra bem grande na vesícula. Uma coisa estranha já que eu era Vegano há uns 4 anos. A operação foi perfeita, minha vesícula não estava inflamada e eu pude guardar minha pedra, mas meus treinamentos seriam arruinados, eu precisei ficar 1 mês de molho, sem fazer nenhum exercício, nas primeiras semanas eu mal conseguia levantar da cama sozinho. Minha mulher cuidou de mim e não me deixou desanimar com a situação, afinal de contas eu teria 1 mês antes da prova para tentar recuperar qualquer condicionamento físico que restara.

Treinei o máximo que eu pude, intervalados, longos e treinos mais leves, então a data chegou. No dia 6 de Setembro de 2009, eu e minha querida companheira de corridas acordamos às 5 horas, tomamos nosso café da manhã e pegamos um ônibus para a largada na Praia de São Conrado, lá encontramos com alguns amigos novos e antigos, todos com o mesmo objetivo, completar os 21,097 km de corrida!

A corrida foi muito dura, eu senti a falta do treinamento, quando cheguei à Praia de Botafogo, meu tanque já estava no suspiro, fui trotando/andando até o final, a pior parte foi passar pela pista oposta da linha de chegada e ver todos comemorando sabendo que eu ainda teria alguns Kms pela frente. Terminei essa corrida em 2:36:28, fiquei em 7.963º lugar no geral e 1.239º na faixa etária. Havia sido uma experiência horripilante, mas mesmo assim, eu queria fazer melhor.

Comecei a pensar no próximo desafio, continuei correndo sem compromissos, corri a Nike Human Race que são só 10 km, mas o percurso passa por partes do percurso da Meia Maratona, largamos no final da Barra da Tijuca e corremos até o Jardim de Alah, foi uma boa prova, um dia bem quente, essa prova me ajudou a recuperar as confianças em mim mesmo depois da derrota na Meia Maratona, não foi meu melhor tempo nos 10 km, mas fiz a prova em 1:03:32. Poderia ter feito um tempo melhor se não fosse pelo bolo de gente na largada e na subida da Avenida Niemeyer, no geral, foi uma boa prova.

No final de 2009, comecei a treinar ciclismo em paralelo com a corrida por influência de uma amiga (MeTA Treinamento). Continuei com as provas ocasionais de corrida de 10 km para ganhar as camisas e quando entramos em 2010, resolvi me inscrever na Maratona Caixa da Cidade do Rio de Janeiro 2010, é claro que a minha mulher foi na roubada junto comigo! 🙂

Procuramos por um treinamento que nos faria atingir nossos objetivos. Depois de muita pesquisa, decidi que deveríamos seguir o treinamento sugerido por Dean Karnazes em seu livro 50 Maratonas em 50 Dias. Começamos muito bem, praticamente do início do treinamento, já que o próprio Karnazes insiste que você inicie o treinamento a partir da semana em que o treino mais longo for a mesma distancia do seu ultimo treino mais longo.

Na metade do caminho, nós demos uma desanimada… o treinamento para uma maratona é longo, muito longo. Eu comecei a treinar com o pessoal do Walter Tuche Assessoria Esportiva, acabei deixando de lado o treino do Karnazes. Meus treinamentos se intensificaram bastante em quantidade e freqüência, meu estímulo ainda não estava 100%, acabei perdendo um dos treinos mais importantes, o mais longo dos longos…

Depois de mais de 6 meses de treino, o grande dia havia chegado…

Mas isso fica para outro post!